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Acidente Vascular Cerebral: Tragédia evitável?

Matéria sobre Acidente Vascular Cerebral publicada no Diário do Nordeste em Junho de 2014

In patients with acute ischemic stroke, even small reductions in the time to thrombolytic therapy are associated with improved outcomes, according to a study in JAMA.

 

Using a national stroke registry, U.S. researchers examined outcomes among some 58,000 patients, at nearly 1400 hospitals, who received intravenous tissue plasminogen activator (tPA) within 4.5 hours after symptom onset. They found that with each 15-minute decrease in time to tPA therapy, patients were significantly less likely to die in the hospital or experience intracranial hemorrhage (odds ratio for each, 0.96). In addition, each 15-minute reduction was significantly associated with a greater likelihood to walk independently at discharge (OR, 1.04) and to be discharged home (OR, 1.03).

“These findings support intensive efforts to accelerate hospital presentation and thrombolytic treatment in patients with stroke,” the researchers conclude.

Time to Treatment With Intravenous Tissue Plasminogen Activator and Outcome From Acute Ischemic Stroke

Importance  Randomized clinical trials suggest the benefit of intravenous tissue-type plasminogen activator (tPA) in acute ischemic stroke is time dependent. However, modest sample sizes have limited characterization of the extent to which onset to treatment (OTT) time influences outcome; and the generalizability of findings to clinical practice is uncertain.

Objective  To evaluate the degree to which OTT time is associated with outcome among patients with acute ischemic stroke treated with intraveneous tPA.

Design, Setting, and Patients  Data were analyzed from 58 353 patients with acute ischemic stroke treated with tPA within 4.5 hours of symptom onset in 1395 hospitals participating in the Get With The Guidelines-Stroke Program, April 2003 to March 2012.

Main Outcomes and Measures  Relationship between OTT time and in-hospital mortality, symptomatic intracranial hemorrhage, ambulatory status at discharge, and discharge destination.

Results  Among the 58 353 tPA-treated patients, median age was 72 years, 50.3% were women, median OTT time was 144 minutes (interquartile range, 115-170), 9.3% (5404) had OTT time of 0 to 90 minutes, 77.2% (45 029) had OTT time of 91 to 180 minutes, and 13.6% (7920) had OTT time of 181 to 270 minutes. Median pretreatment National Institutes of Health Stroke Scale documented in 87.7% of patients was 11 (interquartile range, 6-17). Patient factors most strongly associated with shorter OTT included greater stroke severity (odds ratio [OR], 2.8; 95% CI, 2.5-3.1 per 5-point increase), arrival by ambulance (OR, 5.9; 95% CI, 4.5-7.3), and arrival during regular hours (OR, 4.6; 95% CI, 3.8-5.4). Overall, there were 5142 (8.8%) in-hospital deaths, 2873 (4.9%) patients had intracranial hemorrhage, 19 491 (33.4%) patients achieved independent ambulation at hospital discharge, and 22 541 (38.6%) patients were discharged to home. Faster OTT, in 15-minute increments, was associated with reduced in-hospital mortality (OR, 0.96; 95% CI, 0.95-0.98; P < .001), reduced symptomatic intracranial hemorrhage (OR, 0.96; 95% CI, 0.95-0.98; P < .001), increased achievement of independent ambulation at discharge (OR, 1.04; 95% CI, 1.03-1.05; P < .001), and increased discharge to home (OR, 1.03; 95% CI, 1.02-1.04; P < .001).

Conclusions and Relevance  In a registry representing US clinical practice, earlier thrombolytic treatment was associated with reduced mortality and symptomatic intracranial hemorrhage, and higher rates of independent ambulation at discharge and discharge to home following acute ischemic stroke. These findings support intensive efforts to accelerate hospital presentation and thrombolytic treatment in patients with stroke.

Valor diagnóstico da incontinência urinária no diagnóstico de crises

(“The diagnostic value of urinary incontinence in the differential diagnosis of seizures”)

Brigo FNardone RAusserer HStorti MTezzon FManganotti PBongiovanni LG

Seizure. 2013 Mar;22(2):85-90

Abstract: Proposta: Incontinência urinária pode ocorrer tanto em crises epilépticas (CE) e em eventos não epilépticos (ENE), como eventos não epilépticos psicogênicos (PNEEs) e síncope. Uma pesquisa na literatura para determinar a acurácia desse achado físico e a prevalência em crises epilépticas e síncope estava faltando. Feita uma revisão sistemática para determinar a sensibilidade, especificidade e a probabilidade (LR) da incontinência urinária no diagnóstico diferencial entre CE e ENE (incluindo síncope e PNEEs). Métodos: Estudos avaliando a presença de incontinência urinária em CE e ENE foram sistematicamente pesquisados. Sensibilidade, especificidade, valor preditivo negativo e positivo para incontinência foi determinado em cada estudo e agrupado os resultados. Resultados: Cinco estudos (221 pacientes epilépticos e 252 pacientes com ENE) foram incluídos. Medidas agrupadas de precisão para incontinência urinária (CE versus ENEs) foi: sensibilidade de 38%, especificidade 57%, VPP 0,879 (95% CI 0,705 – 1,095)e VPN 1,092 (95% CI 0,941-1,268). Para cada comparação (crises epilépticas versus ENE; CE versus síncope; CE versus PNEEs), medidas agrupadas de precisão para incontinência urinária não mostraram VPP estatisticamente significativos (o CI 95% para o valor agrupado incluía o 1). Conclusão: A análise agrupada dos dados da literatura mostra que incontinência urinária não tem valor no diagnóstico diferencial entre CE e síncope/PNEEs. Revisão sistemática com análise agrupada de dados da literatura permite aumentar o poder estatístico e melhorar a precisão, representando uma ferramenta útil em determinar a acurácia de certo achado físico no diagnóstico diferencial entre CE e outros eventos paroxísticos.

Comentário: Episódios paroxísticos de perda de consciência são raramente presenciados pelo médico. Na prática, norteamos o diagnóstico, se crise epiléptica ou não, baseado no testemunho de quem a presenciou. Para isso, colhemos detalhes de como o evento ocorreu, com dados a respeito de como foi o ictus, pós ictal, circunstâncias em que ocorreu etc. Alguns dados semiológicos das crises nos direcionam o raciocínio clínico para crise epiléptica e outros para crise não epiléptica. Em um estudo prévio de revisão sistemática realizado pelo mesmo grupo de pesquisadores desse trabalho mostrou que a mordedura de língua ocorrida durante o evento suporta o diagnóstico de crise epiléptica. A incontinência urinária é outro dado da história que encontramos na prática clínica. Para avaliar o valor diagnóstico da incontinência urinária no diagnóstico de crises epilépticas, o autor fez uma revisão sistemática da literatura, selecionando 5 trabalhos após aplicar os critérios de inclusão e exclusão. Após a análise desses dados publicados, concluiu que a incontinência urinária não tem valor no diagnóstico diferencial entre crise epiléptica e não epiléptica considerando como um todo ou no diagnóstico diferencial entre crises epilépticas e síncope/eventos psicogênicos.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23142708

Fonte: http://www.epilepsia.org.br

O que é epilepsia?

Definição
É uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro. Durante alguns segundos ou minutos, uma parte do cérebro emite sinais incorretos, que podem ficar restritos a esse local ou espalhar-se. Se ficarem restritos, a crise será chamada parcial; se envolverem os dois hemisférios cerebrais e por conseqüência a consciência, generalizada.
Por isso, algumas pessoas podem ter sintomas mais ou menos evidentes de epilepsia, não
significando que o problema tenha menos importância se a crise for menos aparente.

Sintomas
Em crises de ausência, a pessoa apenas apresenta-se “desligada” por alguns instantes, podendo retomar o que estava fazendo em seguida. Em crises parciais simples, o paciente experimenta sensações estranhas, como distorções de percepção ou movimentos descontrolados de uma parte do corpo. Ele pode sentir um medo repentino, um desconforto no estômago, ver ou ouvir de maneira diferente. Se, além disso, perder a consciência, a crise será chamada de parcial complexa. Depois do episódio, enquanto se recupera, a pessoa pode sentir-se confusa e ter déficits de memória. Tranqüilize-a e leve-a para casa se achar necessário. Em crises tônico-clônicas, o paciente primeiro perde a consciência e cai, ficando com o corpo rígido; depois, as extremidades do corpo tremem e contraem-se. Existem, ainda, vários outros tipos de crises. Quando elas duram mais de 5 minutos
sem que a pessoa recupere a consciência, são perigosas, podendo prejudicar as funções cerebrais.

Causas
Muitas vezes, a causa é desconhecida, mas pode ter origem em ferimentos sofridos na cabeça, recentemente ou não. Traumas na hora do parto, abusos de álcool e drogas, tumores e outras doenças neurológicas também facilitam o aparecimento da epilepsia.

Diagnóstico
Exames como eletroencefalograma (EEG) e neuroimagem são ferramentas que auxiliam no
diagnóstico. O histórico clínico do paciente, porém, é muito importante, já que exames normais não excluem a possibilidade de a pessoa ser epiléptica. Se o paciente não se lembra das crises, a pessoa que as presencia torna-se uma testemunha útil na investigação do tipo de epilepsia em questão e, conseqüentemente, na busca do tratamento adequado.

Cura
Em geral, se a pessoa passa anos sem ter crises e sem medicação, pode ser considerada curada. O principal, entretanto, é procurar auxílio o quanto antes, a fim de receber o tratamento adequado. As drogas antiepilépticas são eficazes na maioria dos casos, e os efeitos colaterais têm sido diminuídos. Muitas pessoas que têm epilepsia levam vida normal, inclusive destacando-se na sua carreira profissional. Em determinados casos, a cirurgia é
uma alternativa.

Recomendações para paciente com diagnóstico firmado de epilepsia.

Não ingerir bebidas alcoólicas, não passar noites em claro, ter uma dieta balanceada e utilizar as medicações rigorosamente segundo a prescrição médica. Pode ser útil portar alguma identificação sobre o seu diagnóstico. Para os pacientes com crises generalizadas, pode acontecer restrição laboral.

Crises
Se a crise durar menos de 5 minutos e você souber que a pessoa é epiléptica, não é necessário chamar um médico. Acomode-a, afrouxe suas roupas (gravatas, botões apertados), coloque um travesseiro sob sua cabeça e espere o episódio passar. Mulheres grávidas e diabéticos merecem maiores cuidados. Depois da crise, lembre-se que a pessoa pode ficar confusa: acalme-a ou leve-a para casa. Se a crise durar mais que 5 minutos, ligue para o Serviço Móvel de Urgência (SAMU).

“Todas as especialidades médicas são importantes, mas algumas têm maior amplitude de ação do que outras; e a Neurologia, neste sentido, é uma grande especialidade”

Dr.Ricardo Nitrini

A Neurologia é a especialidade que cuida do sistema nervoso central e periférico, ou seja, de doenças do cérebro, medula, nervos, e até algumas doenças dos músculos. Dessa forma o neurologista clínico se dedica ao estudo e tratamento dos problemas desse nobre segmento do nosso corpo.

Sintomas comuns de quem busca auxílio de um neurologista são, além das dores de cabeça (cefaléia), tonturas, redução de força, redução de sensibilidade, formigamentos, alterações na visuais, tremores, desmaios, perda de memória, alterações da fala e do comportamento e insônia.

 

As doenças mais comuns tratadas pelo neurologista são as dores de cabeça (além de outras dores, apenas para citar dentre um grande grupo: neuralgias, dores cervicais e lombares, afora neuropatias periféricas dolorosas ou não), epilepsia e doenças cerebrovasculares. Afora essas, as doenças que a neurologia e o neurologista mais lidam são os distúrbios do movimento (como tremores e Doença de Parkinson), as demências (como a doença de Alzheimer e várias outras doenças degenerativas), as doenças desmielinizantes (como a Esclerose Múltipla), as doenças neuromusculares e distúrbios do sono.

A neurologia é uma especialidade ampla e tem interface com a clínica médica (sendo um ramo dessa especialidade), psiquiatria, oftalmologia, otorrinolaringologia, traumato-ortopedia, neurocirurgia, dentre outras especialidades médicas. Visto a grande dimensão de atuação do neurologista, esse geralmente tem formação direcionada para atendimento do paciente adulto, ficando reservado comumente o atendimento pediátrico para o neuropediatra.

Vários exames complementares podem ser solicitados, caso seja essencial para esclarecer uma queixa clínica e investigar outros diagnósticos, pelo neurologista, como o estudo do líquor por punção lombar, tomografia de crânio e coluna, ressonância magnética para vários segmentos do sistema nervoso central e periférico, eletroencefalograma, doppler transcraniano, eletroneuromiografia, dentre vários outros.

Se o caso inicialmente clínico for cirúrgico, o neurologista pode encaminhar o paciente para um neurocirurgião da sua confiança, se houver necessidade de intervenção cirúrgica.

Para mais informações, vide este excelente artigo:

Click to access 20-Neurologia.pdf

Procure o seu neurologista caso você apresente algum dos sinais e sintomas citados para ter uma melhor e mais ampla abordagem do seu caso!