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Cefaleia Crônica

O problema

A queixa de dor de cabeça é um dos sintomas mais frequentemente referidos nos atendimentos em um consultório ou ambulatório de Neurologia Geral. É uma condição muito frequente na população geral.

Tipos principais de cefaléia

Tecnicamente denominada de cefaléia pelos neurologistas, estas dores classificam-se em diferentes subtipos:

Cefaléia Primária – quando não há nenhum problema estrutural, como tumores, aneurismas, anomalias ósseas ou anatômicas, provocando a dor de cabeça, e várias pesquisas demonstram alterações químicas no organismos das pessoas com este tipo de cefaleia. Exemplos clássicos das cefaleias primárias são a cefaleia tensional e a enxaqueca.

Cefaléia Secundária – são as dores relacionadas a outras causas, como sinusites, distúrbios de articulação temporo-mandibular (ATM), tumores no cérebro, aneurismas cerebrais, meningites, hidrocefalias, etc.

Cefaléia Crônica Diária

As cefaléias primárias (o tipo mais comum de cefaleia) podem evoluir com piora da frequência e intensidade das crises, chegando a se transformar em cefaléia crônica diária. Esta condição é caracterizada por sintomas de dor de cabeça quase todo dia, ou, em muitos casos, dores diárias, por longos períodos. Os critérios médicos para caracterizá-la são a ocorrência de cefaléia pelo menos por 15 dias, por um período mínimo de 3 meses.

A cefaléia crônica diária está comumente relacionada também ao uso excessivo de analgésicos orais, em virtude da desinformação dos pacientes, da facilidade com que se tem acesso aos analgésicos em farmácias, e devido à frequente auto-medicação das pessoas.

Abaixo, alguns pontos importantes sobre a cefaleia crônica diária e como lidar com esta condição tão incapacitante.

Frequência da cefaléia crônica diária na população

Cerca de 3 a 5% da população adulta mundial sofre de cefaléia crônica diária importante o suficiente para causar algum tipo de incapacidade. A cefaléia crônica é a segunda causa mais comum de consulta neurológica ambulatorial, perdendo apenas para os transtornos psiquiátricos, como a depressão e o transtorno de ansiedade.

Os subtipos mais comuns de cefaléia crônica diária são: a enxaqueca transformada, a cefaléia tensional crônica e a hemicrânia contínua. Destes tipos todos, a enxaqueca transformada e cefaléia tensional crônica são as mais prevalentes na população.

Fatores que predispõem os indivíduos a ter cefaléia crônica diária

A concomitância de outros problemas de saúde, como distúrbios reumatológicos ou ortopédicos associados, fibromialgia, síndrome miofascial, artrose ou hérnias de disco, além de fatores como o gênero (sexo feminino),  uso excessivo e indiscriminado de analgésicos, sintomas psiquiátricos, como a depressão e a ansiedade, presença de obesidade ou consumo exagerado de cafeína e derivados, estão entre os fatores predisponentes para o desenvolvimento de cefaleia crônica.

Enxaqueca transformada

É a ocorrência de dores de cabeça em caráter diário ou quase diário (mais de 5 vezes por semana), quando estas começaram de um quadro típico de enxaqueca esporádica. A enxaqueca que se apresentava em crises intensas, mas com intervalos longos sem dor, pode, ao longo do tempo, evoluir com crises mais frequentes, e chegar ao ponto de crises de dor todos os dias.

Muitos pacientes apresentam a dor diária, sem as características típicas associadas ao quadro de enxaqueca (enjôos, vômitos, intolerância à claridade, ruídos e odores). A enxaqueca comum é frequentemente esporádica, ocorre apenas algumas vezes por mês ou algumas vezes por ano, com crises intensas acompanhadas de náuseas ou vômitos, fotofobia e intolerância ao barulho. A enxaqueca transformada é uma cefaleia crônica, ocorrendo quase todos os dias, menos intensa e que não responde aos analgésicos, podendo inclusive ser induzida ou piorar com o uso frequente e crônico de analgésicos.

Sintomas relacionados à cefaléia crônica

É comum ocorrerem queixas associadas de sono de má qualidade, insônia, dores no corpo, irritabilidade, ansiedade, depressão, alterações do apetite e do humor ou queixas gastrointestinais.

Exames Complementares para investigar as cefaleias crônicas

Somente 1% dos pacientes que tem cefaléia crônica com exame neurológico normal vão apresentar algum problema importante na cabeça, e somente 1 em cada 1000 pacientes terá alguma doença tratável cirurgicamente. Portanto, exames de imagem não são necessários na maioria dos pacientes atendidos. Casos em que estes exames podem ser necessários:
• Cefaléia iniciando após os 50 anos de idade (causas: tumores, arterite temporal).
• Cefaléia intensa e de início súbito (causas: hemorragia subaracnóide, encefalopatia hipertensiva).
• Aumento rápido da frequência e da severidade das cefaléias (tumores, outras lesões intracranianas).
• Cefaléia em pacientes com outras doenças infecciosas ou imunidade baixa (linfoma primário do sistema nervoso, neurotoxoplasmose, meningite criptocócica e outras doenças oportunistas).
• Cefaléia em pacientes com câncer (metástases meníngeas ou parenquimatosas).
• Cefaléia de início recente (dias) acompanhada de febre, rigidez do pescoço e confusão mental (causas: meningites, encefalites, abscessos).
• Presença de secreção nasal purulenta ou sinais de gripe (sinusite)
• Presença de hipertensão arterial (encefalopatia hipertensiva, AVC isquêmico ou hemorrágico, feocromocitoma).
• Cefaléia com alterações visuais – embaçamento ou turvação da visão – papiledema no fundo de olho (tumores, neurite óptica, hipertensão intracraniana benigna).
• Cefaléia com alterações no exame clínico-neurológico
• Cefaléia após um traumatismo craniano (hematomas, infecções).

Tratamento da cefaléia crônica diária

A medida mais importante: parar de tomar todos os analgésicos. Quando o indivíduo chega ao ponto da cefaléia crônica diária, uma boa parte deles geralmente já andam o tempo todo, no bolso, na sua bolsa, com vários tipos de remédios para a dor, o que indica o fato do uso abusivo destes medicamentos. Este uso indevido leva à perpetuação do ciclo da dor, ou seja, o próprio analgésivo gera cada vez mais e mais dor.

Nesta fase, o doente/paciente deverá procurar o auxílio de um neurologista clínico, iniciar o uso da medicação preventiva – diária prescrita, e neste início do tratamento as dores vão piorar, e o paciente terá que aguentar alguns dias, até o medicamento preventivo fazer algum efeito. Detalhe: deverá aguentar a dor SEM TOMAR NENHUM ANALGÉSICO. Concomitantemente, os pacientes devem usar a medicação preventiva de dor, além de procurar fazer atividades físicas, que melhoram os sintomas de dor crônica na maioria dos casos.

Importante: saber que o tratamento desta condição é a médio e longo prazo, no mínimo por 3 a 4 meses, podendo se extender até 12-24 meses, dependendo da gravidade e do tempo de sintomas referidos.

Complicações dos pacientes não tratados ou diagnosticados tardiamente

Piora da qualidade de vida, depressão, ansiedade por achar que tem uma doença grave na cabeça e perda de produtividade no trabalho ou escola. Ou simplesmente passar anos e anos tendo dores de cabeça todos os dias. OU SEJA, viver continuamente com dores de cabeça.

Conselhos principais para os pacientes que sofrem de cefaleia crônica diária:

Parar imediatamente o uso abusivo de analgésicos para a dor.
Procurar URGENTEMENTE um neurologista clínico — para iniciar um tratamento preventivo e eficaz.
Mudar o estilo de vida – prática regular de atividade física, dieta saudável, perda de peso, sono adequado, etc.

 

http://www.ineuro.com.br/para-os-pacientes/cefaleia-cronica-enxaqueca-dor-de-cabeca/

É possível calcular o impacto que a dor de cabeça, principalmente a enxaqueca, gera na vida das pessoas. Estima-se, apenas no Estados Unidos, que os custos diretos provocados por consultas, remédios e médicos estejam em torno de 17 bilhões de dólares por ano.
No Brasil, 15,2% das pessoas são afetadas pela enxaqueca, 13% pela cefaleia tensional, 6,9% tem dor todos os dias. A dor de cabeça gera declínio na qualidade de vida, que é
reduzida ainda mais com a associação transtornos ansiosos, depressivos e
distúrbios do sono. As pessoas com enxaqueca, cefaleia tensional e outras dores de cabeça
desmarcam compromissos profissionais, de lazer, convivência familiar e estudos.
Existem alguns testes para se mensurar a gravidade da enxaqueca, abaixo vamos verificar o
MIDAS (MIgraine Disability Assessment Scale, ou escala de medida da incapacidade da
enxaqueca). Teste o impacto da sua dor de cabeça:
Complete as questões de 1 a 5 pensando em todas as dores de cabeça que você teve nos últimos 3 meses (90 dias). Coloque zero se você não apresentou o item descrito.

1. Dias de Trabalho ou escola perdidos
Quantos dias de trabalho ou escola você perdeu por causa da dor de cabeça nos últimos 3
meses (90 dias)?
(____)

2. Dias com perda de produtividade na escola ou trabalho
Quantos dias a sua produtividade no trabalho ou na escola reduziu-se pela metade ou menos devido à dor de cabeça nos últimos 3 meses (90 dias)?
(não inclua os dias que você respondeu na pergunta 1)
(____)

3. Dias de atividade em casa perdidos
Quantos dias você não fez atividades domésticas devido à dor de cabeça nos últimos 3 meses (90 dias)?
(____)

4. Dias com perda da produtividade em casa
Quantos dias sua produtividade nas atividades domésticas reduziu-se pela metade ou menos devido à dor de cabeça nos últimos 3 meses (90 dias)?
(não inclua os dias que você respondeu na pergunta 3)
(____)

 

Some a pontuação dos itens 1 a 5, se o resultado for
de 0 a 5, o MIDAS é GRAU I, ou seja, incapacidade mínima
de 6 a 10, o MIDAS é GRAU II, ou seja, incapacidade LEVE
de 11 a 20, o MIDAS é GRAU III, ou seja, incapacidade MODERADA
maior que 20, o MIDAS é GRAU IV, ou seja, incapacidade GRAVE
Com MIDAS maior ou igual a 6, recomenda-se buscar um neurologista para diagnóstico e tratamento

5. Dias de atividades sociais e lazer perdidos
Quantos dias você deixou de fazer atividades sociais, familiares ou de lazer devido à dor de
cabeça nos últimos 3 meses (90 dias)?
(____)