Grandes avanços no tratamento do acidente vascular cerebral (AVC) ocorreram em 2015: o padrão de cuidados mudou e somos agora confrontados com o desafio de modificar a cadeia de sobrevivência de pacientes com AVC. Os pacientes com AVC têm de chegar aos centros com Unidade de AVC (U-AVC), particularmente se eles apresentam sintomas clínicos de oclusão de grandes vasos. Listamos abaixo 10 principais razões pelas quais as U-AVC devem tornar-se destino desses pacientes em caráter de emergência:

10) Primeiro tratamento eficaz para o paciente com suspeita de AVC: admissão numa unidade de AVC multidisciplinar.
Organização dos cuidados do paciente com suspeita de AVC para além  dos cuidados de enfermaria de clínica médica foi relatada a algum tempo como fator de melhora dos resultados após o AVC. Uma unidade de AVC multidisciplinar, tratamento rápido e integração com neuro-reabilitação são os requisitos essenciais para otimizar os resultados finais de recuperação no pós-AVC.

9) Todo paciente com AVC e ataque isquêmico transitório (TIA)  devem ter uma avaliação com neurologistas vasculares.
Um médico generalista com boa formação está habilitado a fornecer uma das terapias de primeira linha para o AVC isquêmico, tais como a infusão intravenosa ativador do plasminogênio tecidual recombinante (rt-PA). Após o tratamento de fase aguda, todos os pacientes com AVC devem receber propedêutica adequada, que exige conhecimentos para determinar o mecanismo patogênico do AVC. Isso requer testes especializados que podem não estar disponíveis no nível primário e secundário de saúde.

8) Avaliação multimodal de exames vasculares
O envio de um paciente com déficit neurológico resolvido para casa  apenas com uma tomografia computadorizada sem contraste é comum e completamente inadequada. Doentes com AVC e AIT devem ter acesso a ecocardiograma, tomografia multimodal computadorizada (TC / CTA), doppler ou duplex cervical/intracraniano e ressonância magnética (MRI / MRA). O diagnóstico entre AVC vs. AIT pode em alguns casos ser feito pelo estudo do parênquima cerebral e os testes acima referidos são necessários para determinar mecanismo patogênico destes eventos. O mecanismo por sua vez, determina a escolha da estratégia precoce e agressiva para prevenção secundária do AVC.

7) Sempre alerta.
Os doentes com AVC requerem acesso a esses métodos de imagem 24 horas x 7 dias na semana por possibilidade de deterioração após a melhora, progressão com piora do AVC ou recidiva precoce. As U-AVC são obrigadas a fornecer serviços 24 horas x 7 dias na semana por essa possibilidade.

6) Atendimento 24 horas x 7 dias na semana com apoio de terapia neurológica intensiva.
Pacientes com AVC em estado clínico crítico precoce, tratamento de AVC isquêmico (AVCi) maligno da artéria cerebral média, AVCi vértebro-basilar graves e hemorragias intracerebrais são casos  extremamente desafiadores que exige acesso à unidade de terapia intensiva de neurológica (UTIN). Além disso, os doentes com hemorragias subaracnoideias e outras patologias neurocirúrgicas têm de ser trazidos para os centros terciários de cuidados de saúde.

5) Atendimento 24 horas x 7 dias por neurocirurgia no local.
Pacientes internados na U-AVC muitas vezes necessitam de avaliação neurocirúrgica 24 horas x 7 dias por semana. Em alguns casos selecionados, uma neurocirurgia em caráter de urgência ou emergência pode salvar vidas.

4) Ensaios clínicos e a evidência atual
Avanços na medicina são impossíveis sem ensaios clínicos, e toda U-AVC pode contribuir em muito com investigações científicas. Oferecer tecnologias de ponta e expandir as possibilidades de tratamento são necessários para atender às necessidades dos pacientes já que muitos pacientes com AVC chegam além das janelas de tempo para terapias de reperfusão.

3) Tratamento para além de janelas previamente estabelecidas
A marca registrada das U-AVC é ter todas as opções disponíveis de tratamento para pacientes com AVC, que muitas vezes requerem estratégias de tratamento para além das janelas de tempo convencionais. Os protocolos para manejo desses pacientes deve incluir aqueles com desconhecido do tempo de início, os déficits flutuantes e lesões arteriais que levantam desafios para as abordagens convencionais.

2) Acesso direto e tratamento rápido.
Nós aprendemos que quanto mais rápido nós tratamos pacientes com AVC melhor o resultado. Portanto, se for dada uma escolha para parar em um centro de cuidados médicos deve-se pesar a necessidade de ter acesso a todas as opções de tratamento e não apenas a infusão rt-PA. Pode parecer contra-intuitivo, mas adicionar um extra de 30 minutos de carro para um centro com U-AVC pode resultar em administração mais rápida de rt-PA por uma equipe no local com neurologistas vasculares (rt-PA deve ser administrado em menos de 30 minutos a partir da chegada, se possível), a determinação mais rápida de oclusão arterial aguda e o tratamento de resgate adequado.

1) Trombectomia funciona!
Vários ensaios clínicos randomizados recentes (MR CLEAN, ESCAPE, EXTEND-IA e SWIFT PRIME) mostraram que pacientes com oclusões de grandes vasos que recebem o melhor tratamento clínico (como rt-PA sistêmico) têm benefício adicional de trombectomia endovascular com dispositivos chamados de stentrievers . É um momento emocionante na condução dos casos de AVC com melhores opções de tratamento para pacientes com situações clínicas mais graves e, agora, as U-AVC precisam garantir o acesso dos pacientes a esses procedimentos que estão atualmente disponíveis em poucos centros. Nós temos mostrado até o presente momento que o  rt-PA e o tratamento endovascular do AVC têm uma relação simbiótica; temos de garantir que as instalações continuem a apoiar reperfusão através da entrega de rt-PA sistêmico, especialmente quando o tratamento endovascular não está imediatamente disponível ou é impossibilitado pela anatomia vascular desfavorável.