Archive for Fevereiro, 2014


Efeito benéfico já conhecido do consumo de frutas e vegetais, agora com alguma comprovação baseada em um estudo caso-controle com 135 pacientes, correlacionando baixas concentrações de vitamina C com o risco de AVC hemorrágico.

A new study finds a link between vitamin C depletion and increased risk for intracerebral hemorrhage (ICH).

In a case–control study, researchers found vitamin C depletion was more common among ICH cases than matched controls.

“This original study suggests that a low plasma vitamin C concentration is a risk for spontaneous intracerebral hemorrhages,” lead researcher Stephane Vannier, MD, a neurologist at Pontchaillou University Hospital, Rennes, France, told Medscape Medical News.

“This link is probably associated with the role of vitamin C in blood pressure regulation and collagen biosynthesis,” although other factors may also play a role, said Dr. Vannier.

These findings, he added, provide the rationale for clinical trials to test the efficacy of vitamin C supplementation in preventing hemorrhagic stroke and minimizing infectious or cutaneous complications in those sustaining an ICH.

The study will be released at the upcoming 66th Annual Meeting of the American Academy of Neurology annual meeting in Philadelphia, Pennsylvania.

Risk Factors for ICH

The prospective case–control study included 135 participants, whose mean plasma vitamin C concentration was 45.8 µmol/L. Of these participants, 41% had a normal vitamin C status (more than 38 µmol/L), 45% showed some depletion (11 to 38 µmol/L),  and 14% were deficient (less than 11 µmol/L).

The vitamin C concentration was significantly lower in the 65 participants who had experienced a spontaneous ICH than in the  65 healthy controls, said Dr. Vannier. However, he and his research colleagues have not yet calculated an odds risk.

The study found that strong risk factors for deep ICH were hypertension (P = .008), alcohol consumption (P = .023), and being overweight (P = .038). The researchers also noted that patients with a lobar ICH were significantly older than those with a deep ICH.

As well as increasing the risk for infection by altering the immune response, vitamin C deficiency has many other health implications. Vitamin C (ascorbic acid) is an effective antioxidant and might counter the oxidative stress that plays a role in the etiology of high blood pressure.  Dr. Vannier noted that most hypertensive patients in the study were vitamin C depleted.

Not getting enough vitamin C may increase risks for atherosclerosis and heart disease, as well as hypertension.

“Vitamin C decreases blood pressure, which may partly explain the association between fruit and vegetable intake and mortality from stroke,” said Dr. Vanier. “Moreover, ascorbic acid contributes to collagen biosynthesis and regulation, including that            of basal membrane vessel type IV collagen. Depletion is responsible for unstable and dysfunctional collagen with loss of organ support properties, which may lead to hemorrhages.”

Boosting Vitamin C Intake

The study authors made several other important observations. For example, length of stay in the neurology care unit was significantly shorter (9.8 days) for patients with normal vitamin C status than for those with vitamin C depletion (18.2 days).

The longer hospital stay may be the result of complication-related infections in patients with a vitamin C deficiency, said Dr. Vannier. Or, those with vitamin C depletion may be dealing with skin disorders, such as ulcerations, pressure ulcers, and delayed healing of existing lesions.

“Larger studies are needed to explore these relationships and hypotheses, but it seems that we should be treating vitamin            C deficiency with ascorbic acid supplementation and increased fruit and vegetable intake to limit infectious and cutaneous            complications,” said Dr. Vannier.

Environmental factors are probably also involved in the relationship between vitamin C deficiency and ICH, but more studies are needed in this area, too, said Dr. Vannier.

Experts recommend 120 mg of vitamin C daily, according to Dr. Vannier. Although a balanced diet with plenty of fresh fruit            and vegetables should provide adequate levels, patients might try boosting their intake of foods rich in the vitamin, such as raw peppers (any kind), which contain about 200 mg/100 g; fresh orange juice, which has about 60 mg per 100 g; black currants; or parsley.

At this point, experts don’t recommend vitamin C supplementation if there is no deficiency, said Dr. Vannier.

The vitamin C–ICH connection is not far-fetched, the researchers note. Hemorrhagic syndrome and occasionally ICH were among the clinical manifestations of scurvy, a devastating disease of vitamin C deficiency that plagued sailors of bygone years who didn’t have access to fresh fruit and vegetables.

The study was supported by the University of Rennes, France.

66th Annual Meeting of the American Academy of Neurology, April 26 to May 3, 2014. Abstract 3101.

Cefaleia Crônica

O problema

A queixa de dor de cabeça é um dos sintomas mais frequentemente referidos nos atendimentos em um consultório ou ambulatório de Neurologia Geral. É uma condição muito frequente na população geral.

Tipos principais de cefaléia

Tecnicamente denominada de cefaléia pelos neurologistas, estas dores classificam-se em diferentes subtipos:

Cefaléia Primária – quando não há nenhum problema estrutural, como tumores, aneurismas, anomalias ósseas ou anatômicas, provocando a dor de cabeça, e várias pesquisas demonstram alterações químicas no organismos das pessoas com este tipo de cefaleia. Exemplos clássicos das cefaleias primárias são a cefaleia tensional e a enxaqueca.

Cefaléia Secundária – são as dores relacionadas a outras causas, como sinusites, distúrbios de articulação temporo-mandibular (ATM), tumores no cérebro, aneurismas cerebrais, meningites, hidrocefalias, etc.

Cefaléia Crônica Diária

As cefaléias primárias (o tipo mais comum de cefaleia) podem evoluir com piora da frequência e intensidade das crises, chegando a se transformar em cefaléia crônica diária. Esta condição é caracterizada por sintomas de dor de cabeça quase todo dia, ou, em muitos casos, dores diárias, por longos períodos. Os critérios médicos para caracterizá-la são a ocorrência de cefaléia pelo menos por 15 dias, por um período mínimo de 3 meses.

A cefaléia crônica diária está comumente relacionada também ao uso excessivo de analgésicos orais, em virtude da desinformação dos pacientes, da facilidade com que se tem acesso aos analgésicos em farmácias, e devido à frequente auto-medicação das pessoas.

Abaixo, alguns pontos importantes sobre a cefaleia crônica diária e como lidar com esta condição tão incapacitante.

Frequência da cefaléia crônica diária na população

Cerca de 3 a 5% da população adulta mundial sofre de cefaléia crônica diária importante o suficiente para causar algum tipo de incapacidade. A cefaléia crônica é a segunda causa mais comum de consulta neurológica ambulatorial, perdendo apenas para os transtornos psiquiátricos, como a depressão e o transtorno de ansiedade.

Os subtipos mais comuns de cefaléia crônica diária são: a enxaqueca transformada, a cefaléia tensional crônica e a hemicrânia contínua. Destes tipos todos, a enxaqueca transformada e cefaléia tensional crônica são as mais prevalentes na população.

Fatores que predispõem os indivíduos a ter cefaléia crônica diária

A concomitância de outros problemas de saúde, como distúrbios reumatológicos ou ortopédicos associados, fibromialgia, síndrome miofascial, artrose ou hérnias de disco, além de fatores como o gênero (sexo feminino),  uso excessivo e indiscriminado de analgésicos, sintomas psiquiátricos, como a depressão e a ansiedade, presença de obesidade ou consumo exagerado de cafeína e derivados, estão entre os fatores predisponentes para o desenvolvimento de cefaleia crônica.

Enxaqueca transformada

É a ocorrência de dores de cabeça em caráter diário ou quase diário (mais de 5 vezes por semana), quando estas começaram de um quadro típico de enxaqueca esporádica. A enxaqueca que se apresentava em crises intensas, mas com intervalos longos sem dor, pode, ao longo do tempo, evoluir com crises mais frequentes, e chegar ao ponto de crises de dor todos os dias.

Muitos pacientes apresentam a dor diária, sem as características típicas associadas ao quadro de enxaqueca (enjôos, vômitos, intolerância à claridade, ruídos e odores). A enxaqueca comum é frequentemente esporádica, ocorre apenas algumas vezes por mês ou algumas vezes por ano, com crises intensas acompanhadas de náuseas ou vômitos, fotofobia e intolerância ao barulho. A enxaqueca transformada é uma cefaleia crônica, ocorrendo quase todos os dias, menos intensa e que não responde aos analgésicos, podendo inclusive ser induzida ou piorar com o uso frequente e crônico de analgésicos.

Sintomas relacionados à cefaléia crônica

É comum ocorrerem queixas associadas de sono de má qualidade, insônia, dores no corpo, irritabilidade, ansiedade, depressão, alterações do apetite e do humor ou queixas gastrointestinais.

Exames Complementares para investigar as cefaleias crônicas

Somente 1% dos pacientes que tem cefaléia crônica com exame neurológico normal vão apresentar algum problema importante na cabeça, e somente 1 em cada 1000 pacientes terá alguma doença tratável cirurgicamente. Portanto, exames de imagem não são necessários na maioria dos pacientes atendidos. Casos em que estes exames podem ser necessários:
• Cefaléia iniciando após os 50 anos de idade (causas: tumores, arterite temporal).
• Cefaléia intensa e de início súbito (causas: hemorragia subaracnóide, encefalopatia hipertensiva).
• Aumento rápido da frequência e da severidade das cefaléias (tumores, outras lesões intracranianas).
• Cefaléia em pacientes com outras doenças infecciosas ou imunidade baixa (linfoma primário do sistema nervoso, neurotoxoplasmose, meningite criptocócica e outras doenças oportunistas).
• Cefaléia em pacientes com câncer (metástases meníngeas ou parenquimatosas).
• Cefaléia de início recente (dias) acompanhada de febre, rigidez do pescoço e confusão mental (causas: meningites, encefalites, abscessos).
• Presença de secreção nasal purulenta ou sinais de gripe (sinusite)
• Presença de hipertensão arterial (encefalopatia hipertensiva, AVC isquêmico ou hemorrágico, feocromocitoma).
• Cefaléia com alterações visuais – embaçamento ou turvação da visão – papiledema no fundo de olho (tumores, neurite óptica, hipertensão intracraniana benigna).
• Cefaléia com alterações no exame clínico-neurológico
• Cefaléia após um traumatismo craniano (hematomas, infecções).

Tratamento da cefaléia crônica diária

A medida mais importante: parar de tomar todos os analgésicos. Quando o indivíduo chega ao ponto da cefaléia crônica diária, uma boa parte deles geralmente já andam o tempo todo, no bolso, na sua bolsa, com vários tipos de remédios para a dor, o que indica o fato do uso abusivo destes medicamentos. Este uso indevido leva à perpetuação do ciclo da dor, ou seja, o próprio analgésivo gera cada vez mais e mais dor.

Nesta fase, o doente/paciente deverá procurar o auxílio de um neurologista clínico, iniciar o uso da medicação preventiva – diária prescrita, e neste início do tratamento as dores vão piorar, e o paciente terá que aguentar alguns dias, até o medicamento preventivo fazer algum efeito. Detalhe: deverá aguentar a dor SEM TOMAR NENHUM ANALGÉSICO. Concomitantemente, os pacientes devem usar a medicação preventiva de dor, além de procurar fazer atividades físicas, que melhoram os sintomas de dor crônica na maioria dos casos.

Importante: saber que o tratamento desta condição é a médio e longo prazo, no mínimo por 3 a 4 meses, podendo se extender até 12-24 meses, dependendo da gravidade e do tempo de sintomas referidos.

Complicações dos pacientes não tratados ou diagnosticados tardiamente

Piora da qualidade de vida, depressão, ansiedade por achar que tem uma doença grave na cabeça e perda de produtividade no trabalho ou escola. Ou simplesmente passar anos e anos tendo dores de cabeça todos os dias. OU SEJA, viver continuamente com dores de cabeça.

Conselhos principais para os pacientes que sofrem de cefaleia crônica diária:

Parar imediatamente o uso abusivo de analgésicos para a dor.
Procurar URGENTEMENTE um neurologista clínico — para iniciar um tratamento preventivo e eficaz.
Mudar o estilo de vida – prática regular de atividade física, dieta saudável, perda de peso, sono adequado, etc.

 

http://www.ineuro.com.br/para-os-pacientes/cefaleia-cronica-enxaqueca-dor-de-cabeca/

Ataque Isquêmico Transitório ou Isquemia Transitória

Por Maramélia Miranda

O AIT – sigla usada entre os médicos para simplificar o termo ataque isquêmico transitório, ou mais simplesmente uma isquemia transitória, é um problema neurológico que, como o nome já explica, acontece transitoriamente, vem geralmente de repente, subitamente, provoca os sintomas no paciente, e demora alguns minutos ou horas, havendo no final a recuperação total do paciente afetado.

Fatores de risco para AIT (ou AVC)

Os fatores de risco mais conhecidos são: idade (mais velhos), genética (história familiar de muitos casos de AVC ou doença cardíaca), tabagismo, sedentarismo, diabetes, aumento de colesterol ou triglicérides, ter doenças cardíacas, arritmia cardíaca ou infarto prévio.

Entretanto, os jovens e adultos mais jovens que não tem nada disso também podem ter um AIT ou AVC. Nestes casos (dos jovens), a pesquisa do que causou o AIT ou AVC deve ser detalhada. As causas mais frequentes de AIT ou AVC em jovens são as dissecções arteriais, o forame oval patente, uso de medicações tóxicas ou drogas ilícitas e casos de AIT ou AVC relacionados a crises de enxaqueca.

Sintomas

No AIT, o que ocorre é uma obstrução ou entupimento momentâneo, transitório, de algum vaso que irriga o cérebro. O vaso (artéria) leva o sangue, oxigênio e glicose para sua correspondente região cerebral. Como no AIT, naqueles minutos ou horas, o sangue não chega naquele local irrigado pelo vaso entupido, aquela região deixa de fazer a sua função, e o paciente sente os sintomas de acordo com a região e vaso (artéria) afetados.

O mais comum é ocorrerem sintomas simulando um derrame, ou AVC – acidente vascular cerebral. Portanto, o susto é grande! Principalmente se a pessoa já conhece quais sintomas podem ser um AVC… Mas o mais importante dos sintomas do AVC ou AIT é que sempre, quase sempre, eles ocorrem subitamente, de um minuto para o outro, sem avisar. Geralmente a pessoa ou familiar sabe exatamente em que horário começou, o que estava fazendo na hora do início (exceto nos casos em o paciente tem o AVC ou AIT estando sozinho e é encontrado desmaiado por testemunhas). A seguir os principais sintomas de um AIT (e também AVC):::

  • Alteração súbita da fala, com dificuldade para completar as palavras ou frases, ou começar a ter a fala enrolada;
  • Alteração súbita da força num membro (braço ou perna) ou em um lado do corpo (braço e perna do mesmo lado), ou nas pernas, com fraqueza e diferença de força em relação ao lado normal;
  • Alteração súbita da sensibilidade em um lado do corpo;
  • Desvio da boca para um dos lados (a boca começa a “entortar”), de início súbito;
  • Alteração súbita e intensa do equilíbrio, com dificuldade de andar, náuseas e vômitos junto ao sintoma do andar;
  • Alteração visual de início súbito – pode ser uma visão embaçada, tremida, visão dupla, visão ardendo de repente, perda ou embaçamento de um dos lados da visão;
  • Alteração súbita da audição, junto com náuseas, perda do equilíbrio e dificuldade de andar;
  • Sonolência de início súbito, com parada da fala;
  • Convulsões e sonolência excessiva vindo juntas e de forma súbita;
  • Dor de cabeça de início súbito e muito, muito forte.

 O que fazer na suspeita de um AVC ou AIT?

O mais importante: não ficar em casa esperando os sintomas passarem (pois você pode estar perdendo tempo no tratamento). O paciente com esta suspeita deve ser levado imediatamente para um hospital, de preferência que tenha um setor de emergência com médico e tomografia disponível 24 horas por dia. Isso faz toda a diferença, pois caso seja indicada a trombólise (tipo de tratamento para dissolver o coágulo em AVC isquêmico), é importante ter pelo menos a tomografia realizada até 3-4,5 horas do início dos sintomas.

Outro modo de ação é chamar o serviço de emergência do governo – SAMU, pelo fone 192. Mas tomem cuidado porque algumas cidades possuem este serviço muito eficiente, que chegam rapidamente no local do chamado, e outras não. Portanto, caso você chame o SAMU e esteja demorando, não perca tempo: arrume um carro ou transporte e leve a pessoa ao hospital.

Exames

Sempre na suspeita de um AIT ou AVC, na emergência, pede-se uma tomografia de crânio, para excluir se houve ou não hemorragia. Depois, dependendo de caso a caso, o paciente pode ser internado para observação nos primeiros dias, e termina de fazer outros exames no hospital e depois em laboratórios. Além da avaliação pelo médico neurologista, para avaliar se há alguma alteração neurológica, os exames mais comumente pedidos para estes casos são:

  • Tomografia do crânio
  • Ressonância magnética do crânio
  • Angiorressonância do crânio e/ou artérias cervicais
  • Ecocardiograma e eletrocardiograma
  • Exames de sangue
  • Holter de 24 horas
  • Doppler transcraniano
  • Ultrassonografia das carótidas e vertebrais

Dependendo da idade, dos fatores de risco de cada paciente, de como foram os sintomas de cada caso, o neurologista pede uma bateria ou outra de exames para investigar.

Tratamento

Depende. Principalmente da causa do AIT (ou AVC) ocorrido. Daí a importância de se ter ideia do que causou aquele evento e do paciente ser bem investigado. O pilar principal de tratamento da maioria dos casos de AIT ou AVC isquêmico é controlar bem os fatores de risco que podem ser controlados (baixar colesterol, diabetes, retirar o cigarro, excesso de álcool, reduzir obesidade, etc…), controlar muito bem a pressão arterial nos pacientes que tem pressão alta, e usar medicações que afinam o sangue, com a intenção de fazer o sangue circular melhor nas artérias e veias, evitando a formação de trombos ou coágulos, e consequentemente, os sintomas de AIT ou AVC.

Os medicamentos mais usados na prevenção dos AITs são a aspirina ou AAS (doses baixas, de 80 a 325mg ao dia), clopidogrel, warfarina, rivaroxaban, apixaban e dabigatran. Usar um ou outro da lista acima irá depender da causa do problema, e da indicação de maior ou menor proteção em relação à formação de trombos e coágulos.

 

http://www.ineuro.com.br/para-os-pacientes/ataque-isquemico-transitorio-ou-isquemia-transitoria/